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08 de Outubro de 2009 | 16:21

Mulheres empreendedoras

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Daniela Canto, 35, proprietária da fábrica de congelados light Frozen Spa. (Foto de Anderson França)

Depois de conquistar seu espaço no mercado de trabalho, as mulheres agora disputam o título de empreendedoras. Estudo realizado pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de qualidade e Produtividade (IBQP) mostra que 52,4% dos novos negócios são administrados por mulheres. O número inédito coloca o Brasil na sétima posição do ranking mundial de empreendedoras, composto por 42 países, com 7,7 milhões de empresárias.

Segundo a economista Nádia Pullig, analista do Programa Mulher Empreendedora do Sebrae, não há um perfil de atuação da mulher. Elas estão inseridas em mercados distintos, desde o artesanato até o setor industrial. De acordo com a economista, como as oportunidades não são iguais no mercado de trabalho, as mulheres estão em busca do próprio negócio e das próprias regras: "As mulheres estão ultrapassando o número de homens empreendedores. O empreendedorismo feminino é uma resposta a essa desigualdade do mercado”.

Para Nádia, as mulheres se preparam mais, têm mais paciência para planejar: “Até na hora dos empréstimos bancários, as mulheres são mais cautelosas. Não pegam valores acima do necessário”, analisa.

Características como coragem, visão, firmeza, decisão e iniciativa unem um grupo de mulheres que tem se destacado na região serrana. Todas muito jovens, elas venceram profissionalmente.

Foi o que aconteceu com a empresária Daniela Canto, 35 anos, proprietária da fábrica de congelados light Frozen Spa, localizada em Itaipava. Há oito anos, ela deu início ao negócio que hoje é uma referência na área de nutrição e saúde: “O meu objetivo era oferecer um produto de qualidade para pessoas que querem fazer uma dieta, um programa de reeducação alimentar ou manter a alimentação com pratos de baixa caloria após deixar um spa. A fábrica começou a operar quando a minha filha caçula tinha apenas um ano. Eu vivia entre  casa e trabalho para poder estar com ela na hora de amamentar.Morar em Itaipava ajudou muito nesta época: consegui cumprir a maratona diária sem o stress do trânsito".

O trabalho da empresária foi reconhecido rapidamente. Em 2003, os produtos  Frozen Spa começaram a ser vendidos na rede de Supermercados Zona Sul. No ano seguinte, os congelados light se tornaram  produtos exclusivos do Zona Sul e passaram a ser comercializados em 30 filiais no Rio de Janeiro. “Desde o início não criei a Frozen Spa para competir com os produtos que já existiam no mercado”, garante a empresária que destaca algumas inovações como   as embalagens das refeições que vão direto ao microondas por não utilizar alumínio , o atendimento completo feito por nutricionistas nos pontos de venda e o contato permanente com os clientes.

A empresa, que começou o negócio num espaço de 15 m², está se mudando para uma área de 500m². Ao todo, a Frozen Spa possui 150 opções de pratos elaboradas para suprir as necessidades de quem quer controlar a dieta. O cardápio é supervisionado pela nutricionista Juliana Mayo.

A estilista Manoela Salgado também arregaçou as mangas e começou a batalhar por seu espaço desde muito cedo. Envolvida no mercado da moda por causa da mãe que também é estilista, há dois anos e meio, com apenas 22 anos, ela decidiu virar empresária e inovar em relação ao conceito da moda. A loja de roupas femininas Joaquina uniu a paixão pelo mundo das artes e o perfil de Manoela: “A loja externa o que tenho dentro de mim, ela tem identidade. Eu me arrisquei. Sabia que teria que romper barreiras. A Joaquina é uma loja inovadora, não tem nada parecido na cidade”.

Para enfrentar o mercado e abrir a Joaquina, Manoela não pensou duas vezes: “Peguei um empréstimo no banco e abri a loja com muita vontade de que desse certo e deu certo desde o início. É claro que ainda estou pagando o investimento, mas já é da Joaquina que vivo, é dela que comprei o meu carro e que continuo estudando”, comemora a estilista, que apostou em peças com personalidade e muito femininas, sempre com base clássica.

Com mais de 150 clientes já atendidos, ao longo de quatro anos, a trajetória da agência de publicidade Nova Studio também envolve uma mulher empreendedora. Luciana Varella, 31 anos, encontrou na abertura do seu negócio a alternativa para sua vida profissional.

Com a experiência adquirida em estágios e com o portifólio debaixo do braço, a publicitária identificou um colega de turma que tinha o mesmo desejo: ter sua própria agência. A sociedade deu certo e, há dois anos, a equipe cresceu e ganhou um escritório maior em Itaipava. 

Para ela, o ganho variável e a liberdade que a agência possibilita fazem o empenho valer a pena. “Ser empreendedora me consome tempo, é uma grande dedicação, até porque sou bastante exigente comigo e com a equipe. Diariamente, o horário comercial acaba, mas ainda tenho muito a fazer. Meus sonhos me estimulam a trabalhar mais”, comenta Luciana, que ainda arruma tempo para o marido, para atividades físicas e ainda para estudar: “Não deixo de cuidar de mim, de ter horas de lazer, mesmo que apertadas, afinal se eu não fizer isso, quem fará por mim? Para completar estou terminando a MBA. Mas para ter toda essa força e fazer várias coisas ao mesmo tempo, eu preciso dormir, o sono é reparador para mim”.

Apesar da correria, Luciana afirma que os filhos fazem parte dos seus planos: “Quando eles vierem ajustamos esse novo ritmo, mas com certeza eles fazem parte dos meus sonhos”.  

Depois de trabalhar nos negócios da família, a empresária Soraya Mansur, 37 anos, decidiu abandonar a carreira de professora de inglês e seguir a vocação que corre em suas veias. Em 1997, abriu uma sociedade com o irmão e não parou mais. Desde 2002, é franqueada da marca Chilli Beans no estado do Rio de Janeiro. Especializada em óculos escuros, relógios e acessórios, a Chilli Beans acaba de chegar ao mercado petropolitano com duas lojas: no Shopping Estação Itaipava e na Rua 16 de Março.

“Ser empreendedora pode ser fruto do trabalho, mas normalmente nasce com a pessoa. Nunca me imaginei sendo empregada de ninguém. No começo, a franquia da Chilli Beans era mais um hobby do que sobrevivência, porque já tínhamos duas lojas Ellus. No mesmo ano, já estávamos com outros dois pontos de venda na Gávea e no Centro da Cidade. Queríamos atender todo o Rio de Janeiro, mas não imaginávamos que cresceríamos tanto”.

A vinda da Chilli Beans para a região serrana, segundo ela, fazia parte dos seus sonhos: “Depois de consolidar a marca no Rio, chegamos em Búzios e sonhávamos trabalhar também em Petrópolis. Fizemos várias visitas a cidade até encontrar as lojas. Este é apenas o começo da nossa entrada na região, queremos muito mais”. 

Para Soraya, o mercado está aberto para empreendedoras: “Em seminários e eventos, que freqüento mensalmente, percebo que o número de empresárias é bem maior do que o de homens. A mulher é mais esperta, faz mais coisas ao mesmo tempo e por não quererem depender dos maridos, tiveram que correr atrás. Hoje, as mulheres se destacam pelo esforço que fizeram”. 

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