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11 de Setembro de 2009 | 14:48

Receitas trazidas pelos colonizadores ganham espaços nos cardápios

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Eisben: tradicional prato alemão

A arte de confeccionar alimentos evoluiu ao longo da história dos povos para tornar-se parte da cultura de cada um. Variam de região para região, não só os ingredientes, como também as técnicas culinárias. Apesar das peculiaridades da gastronomia brasileira, a culinária da região serrana do Rio de Janeiro recebeu fortes influências da colonização de imigrantes alemães e suíços, com pratos que até hoje estão enraízados na cultura local.

Em 1819, quando 261 famílias suíças chegaram a Nova Friburgo, mais do que a simples ideia de uma vida nova se firmou. Os imigrantes trouxeram, por exemplo, a arte de transformar o leite em verdaderias iguarias. As delícias foram disseminadas e utilizadas como forma de renda pela maioria das famílias.

A gastronomia se tornou um chamariz para o município. Hoje, conhecida como “Suiça Brasileira”, Nova Friburgo é um dos ícones de produção queijeira do estado do Rio de Janeiro.

Um dos exemplos das heranças suíças está nos produtos da Queijaria Escola de Nova Friburgo. Apesar da passagem do tempo, as técnicas e as características dos produtos foram mantidas pelos familiares e pelos elementos típicos da cultura suíça.

A marca da Queijaria ampliou os horizontes e caminha para outros rumos. Hoje, além de ponto de atração turística, é uma empresa que visa a promoção do desenvolvimento rural e social da região e difusão da tecnologia queijeira. Os produtos da empresa, todos da marca Frialp, são produzidos seguindo rigorosamente a técnica, a tradição e a dedicação dos imigrantes suíços, garantindo alta qualidade e sabor inigualável.

De acordo com o gerente técnico, André Guedes, a Queijaria mantém mais do que a venda de produtos típicos. “Este é um dos pontos mais visitados da cidade. Toda a estrutura resgata e guarda a história, tradição e trajetória das famílias suíças que até hoje mantêm o compromisso de preservação da memória”, diz. Ele ainda afirma, que os produtos comercializados são originalmente suíços, e que os itens mais vendidos são aqueles que têm suas origens das regiões de onde as famílias de imigrantes saíram em busca de uma vida mais digna.

O talento dos suíços, quando se fala de gastronomia, não fica só nos queijos e seus derivados. O chocolate é um dos grandes prazeres onde os eles mostram que tem know how. A Chocolataria de Nova Friburgo, inaugurada em 1997, anexa a Queijaria Suíça, oferece diferentes tipos de chocolates desde os manufaturados até os artesanais. A técnica para a fabricação também é a mesma empregada pelos suíços e ganham formas e sabores inigualáveis.

Para que a tradição seja ainda mais difundida, são oferecidos cursos e palestras sobre o chocolate e sua fabricação. O sucesso desse alimento é tão grande em Friburgo, que anualmente acontece um festival de chocolates no segundo semestre.

Descendo a serra, rumo à Cidade Imperial, o visitante se depara com bairros de nomes alemães e todas as tradições enraizadas nos hábitos dos petropolitanos, herança também da colonização.


Na bagagem desses imigrantes vieram além da cultura, as delícias que produziam na cozinha.

Restaurantes de Petrópolis até hoje carregam as raízes e tradições das comidas alemãs. O eisben (joelho de porco), o kassler (costeleta defumada de porco), o chucrute (conserva e repolho fermentado), strudel (sobremesa folheada com recheio de maça), os presuntos defumados de westaphalia, com aroma de zimbro - que estão entre os mais famosos do mundo - e outras iguarias são encontradas facilmente.

Todos esses quitutes também podem ser encontrados em uma das mais tradicionais festas do Brasil em homenagem aos colonizadores, a Bauernfest, que ocorre sempre no fim de junho. As opções são vastas, sempre regadas a muita cerveja.

Seja por suíços ou alemães a colonização trouxe mais variedades ao cardápio da culinária brasileira, o que dá um tempero ainda mais especial à cozinha nacional.

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