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11 de Setembro de 2009 | 17:10

Consumismo: um amigo que pode virar vilão

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A paixão da jornalista Priscila Morada por sapatos a fez consumir compulsivamente

Se você é uma daquelas pessoas que usa o cartão de crédito para comprar uma coisa mesmo sem ter dinheiro, cuidado! Você pode ser um viciado em consumo.

A cada dia, mais e mais produtos entram no mercado com a intenção de criar novas necessidades nos consumidores. Existem inúmeros estudos sociológicos e até antropológicos sobre o assunto. Modelos novos de celulares, lap-tops, câmeras fotográficas, eletrodomésticos são substituídos a todo momento, nas lojas, por novos modelos, com novas cores, funções e ainda mais sofisticados.  Não é só com a tecnologia que isso acontece. Nos artigos de uso pessoal como roupas, sapatos, bolsas, perfumes e cremes, o consumo é feroz e atinge principalmente as mulheres. Qualquer pesquisa sobre consumismo indica o gênero feminino como aquele que mais consome. Existem muitas mulheres que, com o apelo das novas coleções,  alimentam seus gostos por determinado artigo comprando como colecionadoras. Essa “dependência por shopping” é algo comum nos dias de hoje, como o famoso vício que se tem pelo cafezinho.

A jornalista Priscila Morada se encaixa nesse grupo. Quando o assunto é sapato, ela perde o controle, mesmo se o tamanho não é o dela. Certa vez comprou um sapato número 39 para não perder uma promoção, só que ela calça 36 e para solucionar o problema usa uma palmilha. “Não tenho ideia de quantos pares tenho. Sempre acho que estou precisando de sapatos. Chuto logo o balde e levo seis, ou sete pares! É compulsivo”, afirma Priscila, que nessa época do ano sofre com as tentações das lojas em liquidação. E a coisa parece ser genética: “Eu e minha mãe já chegamos em casa com 21 pares. Faltam lugares para tantos sapatos. Não cabem mais no meu armário, nem no da minha mãe. É uma vergonha, mas é verdade”, lamenta.

A compra no cartão de crédito é um agente facilitador e as ofertas são muitas para persuadir o consumidor, além de ajudar na organização do tempo  e atender às demandas emocionais do homem contemporâneo. No entanto, o consumo excessivo pode trazer graves problemas, geralmente notados apenas na hora de pagar a fatura do cartão. “Meu carro é fruto do meu planejamento para consumir menos. Tive a necessidade de ter uma conta fixa alta, senão gastava tudo em sapatos”, afirma.

Segundo a psicóloga Rosangela de Freitas, que há 13 anos atua na área, em Nova Friburgo, o ato de comprar repetidamente e fora de controle pode ser na verdade um sinal de doença, chamado Transtorno Compulsivo. Ela lembra ainda que as mulheres representam mais de 80% das amostras clínicas. “Em muitos casos este transtorno aparece devido à carência da pessoa. Essa necessidade de preencher um vazio é o que leva as pessoas a consumir, como se fossem substituir a carência através de bens materiais”, disse.

A psicóloga diz, ainda, que este transtorno tem cura, mas para isso, a pessoa deve estar focada e estar determinada a mudar: “Sempre se pergunte antes de fazer a compra: Eu realmente preciso disto? Eu estou comprando porque quero me presentear por alguma razão? Qual?”, recomenda.

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