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Quem colonizou a Serra Fluminense?
Um programa de desenvolvimento estimulado pelo reinado português no Brasil e a industrialização e desestruturação do regime feudal na Europa foram os principais motivos pelos quais chegaram os primeiros imigrantes à Serra Fluminense, no início do século XIX. Vindos de uma Europa com a economia abalada pelo novo modelo social e caracterizada por camponeses desempregados transformados em proletários, muitos alemães e suíços procuravam outros países com o objetivo e o sonho de uma vida mais digna. A eles foi prometido um país de terras férteis e sem guerras.
Ao observar os nomes das ruas e os sobrenomes que aparecem nas listas telefônicas das cidades de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis é fácil imaginar quem foram os primeiros moradores destas vilas. Além disso, a topografia e os traços da arquitetura europeia também marcam os olhos de quem visita a região.
Até hoje vivem nessas regiões descendentes do povo que deixou seu país em busca de uma “terra prometida” em pleno século XIX.
Nova Friburgo:
Diferente do que aconteceu no Rio Grande do Sul, a colonização na região serrana do Rio se deu em terras altas e mais frias. A primeira colônia das serras fluminenses foi formada por 261 famílias de imigrantes suíços que chegaram em 1819 e batizaram a região com o nome de Nova Friburgo em homenagem à região de Freiburg de onde vieram.
Logo assim que foi proclamada a república em 1822, o Governo Imperial mandou um de seus homens à Alemanha para contratar imigrantes com o objetivo de colonizar a Bahia. Porém, esses colonos foram enviados, em 1824, a Nova Friburgo. Alguns tomaram lugar dos suíços que desistiram da empreitada e abandonaram seus lotes de terra para procurar terras mais férteis em outras regiões do estado. Em 1890, chegaram em Nova Friburgo sírios, portugueses e italianos.
Petrópolis:
Os primeiros alemães a chegarem em Petrópolis, em 1837, tinham como destino original a Austrália, porém devido às péssimas condições enfrentadas na primeira parte da viagem quiseram aportar no Rio de Janeiro. O Major Julio Frederico Koeller soube do ocorrido e pediu permissão para que mais de 200 indivíduos desembarcassem no Porto de Niterói com o intuito de trabalharem na abertura da Serra da Estrela junto a outros colonos portugueses e fixarem residência na ainda fazenda do Córrego Seco, que mais tarde se tornaria a cidade de Petrópolis.
A segunda parte de imigrantes alemães chegou em 1945 para trabalhar na província do Rio de Janeiro, porém novamente sob a influência de Koeller e seu plano urbanístico para Petrópolis se dirigiram para as montanhas. A grande maioria vinha da região do rio Reno na Alemanha e eram artesãos. Eles estavam divididos entre católicos e protestantes. Os lotes foram arrendados pelos imigrantes, resultando em um sistema de foro e laudêmio (enfiteuse) pago aos herdeiros de dom Pedro II até hoje.
Para homenagear aqueles que construíram as ruas e prédios da cidade, Koeller deu às divisões da cidade nomes das regiões de onde esses alemães vieram como: Bingen, Castelânea, Darmstadt, Ingelheim, Mosela, Nassau, Palatinado, Renânia, Siméria, Westphalia, Woerstadt e Worms. Além destes criou o Quarteirão Brasileiro, o Francês e o Suíco, provavelmente em homenagem a outros colonizadores que moravam na região.
Os sobrenomes de todas as famílias de colonos alemães que chegaram à Petrópolis estão eternizados no centro da cidade em placas cravadas no monumento do Obelisco.
Outros nacionalidades também fizeram parte da colonização de Petrópolis. E depois dos alemães a mais numerosa foi a de italianos que trabalharam na Companhia Petropolitana de Tecidos e que também colaboraram para o desenvolvimento da cidade.
Teresópolis:
Os primeiros colonizadores de Teresópolis foram os ingleses. George March, junto a outros conterrâneos fundaram, em 1818, a Fazenda March. Assim Teresópolis é considerada por muitos a única cidade do Brasil colonizada por ingleses.
Ainda na primeira metade do século XIX se estabeleceram na região alemães, portugueses e africanos, escravos que partiram de Minas Gerais e se escondiam na serra. No início do século XX, chegaram espanhóis, dinamarqueses, italianos e sírios. Na primeira metade do século passado chegaram ainda japoneses que se fixaram nas áreas rurais.
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